A filosofia Juche | Viagens ao Extremo | Coreia do Norte

A FILOSOFIA JUCHE

Juche é uma palavra coreana de duas sílabas, onde “ju” significa “mestre” e “che” significando “si mesmo”, então traduzindo ao pé da letra ficamos com “mestre de si mesmo”. Apesar de o termo ter sido amplamente utilizado a partir de 1955, na maior parte das histórias da Coreia do Norte podemos traçar sua origem a junho de 1930, quando o jovem Kim Il-Sung traçou um novo caminho para a Revolução Coreana em um encontro de revolucionários em Kalun. O pai de Kim Il-Sung, Kim Hyong-Jik, então presidente da Associação Nacional Coreana, defendeu a ideia de Chiwon, ou “mire alto”, para alcançar a independência da Coreia. Esses ideais junto com os ideais marxistas foram importantes para a formação de Juche. Juche (pronuncia-se diu-tche), também conhecida por kimilsunguismo , é a filosofia sociopolítica da Coreia do Norte, tal como estipulada no artigo 3 da Constituição da Coreia do Norte de 1998, na ênfase de realizar o maior estado socialista. Juche é celebrada por seus seguidores por suas respostas “científicas” à questões sobre o destino do Homem e, como mostram as placas que ficam na base da Torre Juche em Pyongyang, a ideologia tem seguidores em vários países do mundo. Esta é uma breve introdução sobre a ideologia Juche e o que ela significa para o país e para seu povo.

Juche diz que o Homem é o mestre de tudo e decide tudo. O Homem é distinto das outras incontáveis entidades físicas e orgânicas ao seu redor por possuir os três seguintes atributos: criatividade, consciência e Chajusong, que significa “independência” em um sentido muito mais amplo e profundo. Chajusong é o desejo inerente ao Homem para viver, se desenvolver independentemente e ser o mestre de seu próprio destino e mundo. Chajusong significa que o Homem supera e subordina a vontade da natureza para seus próprios fins. O Homem adapta o ambiente para que se adeque a ele, distinguindo o Homem dos outros organismos tais como plantas e animais que se adéquam ao seu ambiente.

Também há a vida social e política do homem, importantíssima pois os três atributos só podem ser realizados em um contexto social, através de educação linear e desenvolvimento de pensamento. O Homem só pode prosseguir além de seus instintos através da educação, discussão e prática para realizar sua Chajusong, consciência e criatividade.

Não existe um plano ou finalidade para o universo. As relações físicas e espontâneas entre entidades físicas são devidas às suas propriedades particulares que por acaso ocorreram. O Homem é o único transformador pró-ativo do mundo. No mundo Juche, nada tem valor além de seu potencial uso ou dano causado ao Homem. No capitalismo, valor e valia tomam valores monetários, e a ganância impede que a sociedade seja beneficiada com avanços científicos (bens duráveis na verdade não duram, mas são feitos para quebrar). O sistema de valores também é subjetivo e, dessa forma, irracional e não é um modo adequado de comandar a sociedade. Juche insiste que deve ser do interesse do indivíduo se engajar, mas o engajamento vem da canalização de suas energias para fins societários. As máquinas e materiais nunca podem ter mais valor que o Homem, pois elas não têm valia sem ele, existindo somente para o servir e à sociedade.

Em 1975 foi apresentada a linha das Três Revoluções – a revolução ideológica, a revolução técnica e a revolução cultural. Basicamente, a revolução ideológica era para ser complementada pela técnica, de modo a libertar as pessoas das sombras da tecnologia atrasada e libertar as pessoas do trabalho pesado. A revolução cultural iria deixar todas as pessoas no mesmo nível de um intelectual. Ideias progressistas significam um alto nível de conhecimento técnico e científico. O pensamento determina o valor e qualidade do homem. O conhecimento não é sinônimo de respeito, pois pensamento demais e uma ideologia ruim são um desastre. Somente a ideologia boa, com modelação ideológica, pode direcionar o conhecimento para o benefício da sociedade.

Juche é construída em torno dos interesses das massas, então as massas devem aprender Juche e aceitarem a organização requerida para incutir-lhes a filosofia da luta revolucionária, por exemplo, a luta para defender seu Chajusong, sua vida e sua alma. Para as tarefas revolucionárias serem um sucesso, o trabalho político deve trazer as pessoas à ação e o cuidado com elas deve ser priorizado acima de qualquer trabalho. As pessoas não podem simplesmente ser obrigadas a chegar em uma meta; elas precisam estar de coração nela, de modo que nenhum desafio será grande demais. A persuasão política e educação das pessoas precisam ser moldadas ao seu passado, aos negócios etc. Uma pessoa que persuade em meio a dez outras é uma boa fração para incitar o fervor revolucionário.

Acima de tudo, o cultivo disso tudo requer boa liderança, do partido e de seu líder. O líder é o cérebro para o corpo das massas e é o representante supremo e a incorporação de seus interesses; seus atos representam a vontade das massas. Ele as lidera para a vitória, então a devoção ao líder demonstra a mais alta expressão e zelo revolucionários.